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Tu Inmueble Playa
Investimento Foco: Riviera Maya · 30 min de leitura

Investir em apartamentos na Riviera Maya: aluguel de temporada ou aluguel de longo prazo?

Comparativo honesto para investir em apartamentos na Riviera Maya: ocupação, diária média, custos ocultos, retenções do SAT, imposto de hospedagem, condomínio e um exemplo metodológico.

Pela equipe Tu Inmueble Playa · ·

Informação geral, não constitui assessoria jurídica, fiscal nem financeira. Confirme sempre com um notario público (notário mexicano), contador ou advogado em Quintana Roo.

Investir em apartamentos na Riviera Maya — Playa del Carmen, Tulum, Puerto Morelos, Puerto Aventuras, Akumal e todo o corredor que sobe até Cancún — é uma decisão que quase sempre se toma com uma planilha emprestada: a do incorporador, ou a da administradora que quer o contrato de gestão. Este guia entrega a sua. Ele compara, com método, os dois modelos que disputam o mesmo apartamento — o aluguel de temporada por diárias em plataformas e a locação residencial de longo prazo — e faz isso sem inventar números de mercado: cada cifra que aparece aqui é uma disposição legal citada ou uma premissa declarada explicitamente como ilustrativa.

O diferencial é simples de enunciar e difícil de encontrar em português: aqui você vê de onde saem as premissas de ocupação e diária, quais custos costumam ficar de fora do folheto, como funcionam as retenções que o Servicio de Administración Tributaria (o SAT, a Receita Federal mexicana) impõe às plataformas digitais, o que o imposto de hospedagem de Quintana Roo tributa, o que um regimento de condomínio pode proibir e como se constrói uma comparação honesta entre os dois modelos, com um exemplo metodológico que você pode refazer com os seus próprios dados.

Este texto foi escrito para o investidor brasileiro ou português que compra para alugar, seja este o seu primeiro apartamento na Riviera Maya ou o terceiro. Se ainda não estiver claro para você como a propriedade é adquirida — fideicomiso, empresa mexicana ou escritura direta —, vale ler antes o guia sobre como comprar um imóvel no México sendo estrangeiro e voltar aqui com a estrutura de titularidade definida, porque a estrutura muda a tributação do aluguel.

Resumo para quem decide com pressa

  • O aluguel de temporada é um negócio operacional de hospedagem que usa um apartamento; o aluguel de longo prazo é um investimento patrimonial com fluxo estável. Eles se parecem apenas no ativo.
  • As duas premissas que decidem o resultado do modelo de temporada são a ocupação anual e a diária média (ADR, average daily rate). Nenhuma das duas aparece na escritura nem no contrato de compra e venda: elas precisam ser estimadas com evidência.
  • Os custos mais subestimados são a administração, a eletricidade com ar-condicionado, as taxas de condomínio, a reposição de mobiliário e a vacância da baixa temporada.
  • No plano fiscal, as plataformas retêm ISR e IVA do anfitrião (Ley del ISR, arts. 113-A a 113-D; Ley del IVA, arts. 18-B a 18-M); a locação residencial é tributada em capítulo próprio (Ley del ISR, arts. 114 a 118) e costuma ser isenta de IVA quando é casa habitación (imóvel residencial) sem mobília (Ley del IVA, art. 20, fr. II).
  • Quintana Roo tributa a hospedagem com um imposto estadual próprio, que as plataformas retêm quando intermedeiam a cobrança, e mantém um registro estadual de prestadores turísticos (RETUR-Q) cuja obrigatoriedade para o seu caso deve ser confirmada; o regimento de condomínio pode restringir ou proibir a estadia curta.
  • No exemplo ilustrativo deste guia, o modelo de temporada vence por pouco com premissas prudentes e perde com ocupação baixa. Essa sensibilidade, e não a média, é a informação que vale.

Dois modelos de negócio, explicados sem romantismo

Convém começar pelo que cada modelo realmente é, porque boa parte das decepções na Riviera Maya nasce de comprar um apartamento pensando em patrimônio e terminar operando, sem querer, um pequeno hotel.

Aluguel de temporada: um hotel de um quarto

No aluguel de temporada o proprietário vende diárias. Cada reserva implica um check-in, um check-out, uma faxina, um jogo de lençóis e toalhas, reposição de consumíveis, comunicação com o hóspede e uma avaliação que afeta a próxima reserva. A receita depende do calendário turístico de Quintana Roo, da concorrência imediata — outros apartamentos do mesmo prédio, hotéis do corredor, casas nas plataformas — e da qualidade da operação diária.

Quem faz isso bem trata o apartamento como um produto: fotografia profissional, tarifas dinâmicas por temporada, tempos de resposta curtos, manutenção preventiva do ar-condicionado, controle de inventário. Quem faz mal delega a uma administradora sem métricas e descobre, doze meses depois, que a receita líquida ficou muito abaixo da receita bruta anunciada na apresentação de vendas.

É importante interiorizar essa diferença logo no início, porque ela muda a natureza do que você está comprando. Um hotel de um quarto tem receita, custo variável, margem, sazonalidade, reputação online e concorrência direta. Um investidor brasileiro acostumado a comprar sala comercial para locação, ou apartamento para renda em São Paulo ou no Porto, precisa fazer uma troca mental: aqui o retorno não vem apenas do ativo, vem também do trabalho de gestão — seu ou de terceiros — e esse trabalho tem preço.

Aluguel de longo prazo: patrimônio com inquilino

Na locação residencial o proprietário cede o uso do apartamento por meses ou anos em troca de um aluguel mensal, normalmente com contrato escrito regido pelo Código Civil para el Estado de Quintana Roo, depósito em garantia e, com frequência, um fiador ou outra garantia. A receita é previsível, as contas de consumo ficam com o inquilino, a administração é leve e a operação se resume a receber, atender reparos maiores e renovar ou rescindir o contrato. Em contratos anuais, é prática comum pactuar que o aluguel seja atualizado na renovação conforme o Índice Nacional de Precios al Consumidor publicado pelo INEGI — o equivalente mexicano ao IPCA —, o que protege o fluxo contra a inflação sem depender de uma renegociação a cada ano.

Os riscos são outros: vacância entre inquilinos, inadimplência, desgaste não reparado, aumentos de aluguel limitados pelo mercado local e uma relação jurídica que, quando se rompe, é resolvida em tribunal e não com um cancelamento no aplicativo. O guia sobre o contrato de locação de longo prazo em Quintana Roo detalha cláusulas, garantias e procedimento.

Modelos híbridos e média estadia

Entre os dois extremos existem opções reais na Riviera Maya: alugar por temporada a nômades digitais e profissionais que ficam de um a seis meses, alternar alta temporada de diárias com contratos de média estadia nos meses fracos, ou destinar o apartamento a funcionários de hotéis e empresas com contratos corporativos. Cada híbrido herda parte dos custos da hospedagem e parte da estabilidade da locação, e também herda uma tributação que o seu contador precisa qualificar caso a caso: a linha entre “hospedagem com serviços” e “uso ou gozo temporário de um imóvel” tem consequências em ISR e IVA.

Para o público brasileiro e português, a média estadia costuma ser a porta de entrada mais confortável. Ela reduz o número de rotações — e, portanto, a intensidade operacional —, mantém uma diária média superior à do aluguel residencial puro e conversa bem com o perfil de quem passa temporadas na Riviera Maya. Mas ela não é uma zona cinzenta fiscal: continua sendo receita tributável no México, e se houver serviços associados, pode ser classificada como hospedagem.

Onde cada modelo funciona na Riviera Maya

O mesmo apartamento não rende igual em Playacar e na colônia Ejidal, nem em Aldea Zama e no centro de Tulum. A geografia decide qual modelo faz sentido antes de qualquer planilha.

Playa del Carmen (município de Solidaridad)

Playa del Carmen é o mercado mais profundo e mais líquido do corredor: recebe turismo internacional pelo Aeropuerto Internacional de Cancún, turismo de cruzeiros via Cozumel e uma população residente numerosa que trabalha em hotelaria, serviços e comércio. Essa combinação permite que os dois modelos coexistam.

O aluguel de temporada se concentra nas zonas caminháveis até o mar e até a Quinta Avenida: o Centro, Gonzalo Guerrero, Zazil-Ha, o corredor da avenida Constituyentes e Playacar, com suas fases residenciais e o campo de golfe. O aluguel de longo prazo encontra demanda sustentada em bairros com serviços e conectividade com a rodovia federal: Ejidal, Colosio, o entorno da avenida CTM e, no segmento alto, novamente Playacar e os empreendimentos com amenidades da faixa entre a Quinta e a federal. Vale examinar a oferta atual de apartamentos à venda em Playa del Carmen para calibrar preços por zona antes de modelar.

O ponto que o investidor de fora costuma subestimar em Playa del Carmen é a diferença de comportamento entre duas quadras. Um apartamento a seis quarteirões da praia, mas com rota de pedestres confortável até a Quinta, opera em outro patamar de diária do que um apartamento a nove quarteirões com uma avenida movimentada no meio. Essa granularidade não aparece em nenhum relatório agregado de mercado — ela só aparece quando você olha anúncios comparáveis rua a rua.

Tulum

Tulum é o mercado mais volátil e o que mais gera promessas de rentabilidade. Aldea Zama, La Veleta, a Región 15 e os empreendimentos do corredor rumo ao Aeropuerto Internacional de Tulum “Felipe Carrillo Puerto” nasceram para o aluguel de temporada: a maior parte da oferta é nova, é mobiliada por projeto e é vendida com projeções de ocupação. Aqui a pergunta-chave não é se existem turistas, mas quantos apartamentos disputam esses turistas no mesmo raio e com o mesmo produto.

O aluguel de longo prazo em Tulum existe e cresce com a população que chega para trabalhar, mas o inventário de apartamentos pensado para essa demanda é menor, e os preços de compra costumam ser fixados pelo modelo de temporada, o que comprime a rentabilidade da locação residencial. O investidor que compra em Tulum para alugar a longo prazo precisa validar esse aluguel com anúncios reais, não com o percentual que o incorporador entrega. A oferta de apartamentos à venda em Tulum mostra bem a dispersão de preços entre zonas.

Há ainda uma característica de Tulum que merece atenção de quem investe de longe: a velocidade com que novos empreendimentos entram em operação. Um produto que era escasso no momento da compra na planta pode chegar ao mercado ao mesmo tempo que outras centenas de unidades semelhantes, todas com piscina no rooftop e estética de selva. Quando isso acontece, quem ajusta é a diária. Modelar Tulum sem uma premissa explícita de nova oferta no raio de um quilômetro é modelar pela metade.

Cancún e Puerto Morelos (municípios de Benito Juárez e Puerto Morelos)

Cancún é a cidade mais populosa de Quintana Roo e, portanto, o mercado natural da locação de longo prazo: famílias, profissionais, funcionários do aeroporto e da Zona Hotelera sustentam uma demanda constante em supermanzanas consolidadas, no Residencial Cumbres, no corredor da avenida Huayacán e em Puerto Cancún. O aluguel de temporada em apartamentos se concentra na Zona Hotelera, em Puerto Cancún e em Puerto Juárez, com concorrência direta de um parque hoteleiro enorme.

Puerto Morelos, no meio do caminho, é um mercado menor e mais tranquilo, com demanda de temporada de perfil familiar e de mergulho, e com demanda residencial de quem trabalha em Cancún mas prefere morar num vilarejo costeiro.

Para o investidor que busca previsibilidade — e boa parte dos compradores brasileiros e portugueses busca —, Cancún merece uma segunda olhada mesmo quando o coração aponta para Tulum. Uma cidade com economia diversificada e população estável dá ao aluguel residencial uma profundidade que os mercados puramente turísticos não têm.

Puerto Aventuras e Akumal

Ambos são mercados de nicho. Puerto Aventuras, com sua marina e seu caráter de comunidade fechada dentro do município de Solidaridad, atrai aluguel de temporada de estadias mais longas e aluguel de longo prazo de residentes estrangeiros. Akumal, no município de Tulum, é essencialmente de temporada e muito sensível à qualidade da praia e à presença de sargaço. Em nenhum dos dois convém assumir uma ocupação de mercado urbano.

As premissas que decidem tudo: ocupação, diária média e sazonalidade

A rentabilidade de temporada é o produto de dois números — noites ocupadas e diária média — menos custos. Todo o resto é detalhe. Por isso, a primeira disciplina do investidor é recusar-se a aceitar esses dois números sem evidência.

Como estimar ocupação e diária média sem inventar

A ocupação é o percentual de noites do ano efetivamente vendidas; a diária média (ADR) é a receita por noite vendida, já descontados descontos e promoções, mas antes das comissões. O produto dos dois, dividido pelas noites disponíveis, chama-se RevPAR e é o indicador que realmente importa: quanto o apartamento fatura por noite disponível, esteja ele ocupado ou não.

Para estimar sem inventar, siga quatro passos. Primeiro, identifique entre dez e vinte anúncios comparáveis na mesma zona e do mesmo tipo (número de quartos, amenidades, distância do mar) e registre suas tarifas por temporada e seus calendários ao longo de várias semanas; calendários bloqueados são uma aproximação imperfeita, mas útil, da ocupação. Segundo, peça à administradora que mostre extratos reais de unidades semelhantes, anonimizados, com meses bons e ruins; uma administradora séria os tem. Terceiro, desconte da diária observada os descontos por estadia longa e os meses em que a unidade será alugada abaixo da tarifa para preencher calendário. Quarto, aplique uma penalidade de estabilização: uma unidade nova, sem avaliações, não vende como uma consolidada durante os primeiros meses.

O que você nunca deve fazer é pegar a ocupação média do destino publicada pela indústria hoteleira e aplicá-la ao seu apartamento. Hotéis têm força de vendas, canais de operadoras e tarifas que um apartamento isolado não replica.

Um detalhe metodológico que separa modelos bons de modelos ingênuos: registre também quanto tempo cada anúncio comparável leva para preencher o calendário e a que preço. Duas unidades podem terminar o ano com a mesma ocupação, mas uma chegou lá vendendo com antecedência a preço cheio e a outra chegou queimando tarifa na véspera. A segunda tem margem menor e reputação mais frágil, embora as duas apareçam iguais numa média anual.

A sazonalidade do Caribe mexicano

A alta temporada da Riviera Maya coincide com o inverno dos Estados Unidos e do Canadá: de meados de dezembro até a Semana Santa, com picos no Natal, no Ano-Novo e nas férias de primavera norte-americanas. O verão traz o turismo nacional mexicano e o europeu em julho e agosto. Setembro e outubro são, ano após ano, os meses mais fracos, e novembro é de transição.

Um modelo sério não usa ocupação anual plana. Ele constrói doze meses com ocupação e diária distintas e soma. Essa curva revela algo que a média esconde: o apartamento que fatura muito bem em janeiro pode ficar vazio três semanas seguidas em setembro enquanto a taxa de condomínio, a energia de base e a internet continuam sendo pagas.

Para o investidor brasileiro há uma nuance adicional que vale registrar na planilha: as suas próprias janelas de uso pessoal. Muita gente compra na Riviera Maya pensando em passar duas ou três semanas por ano no imóvel — e escolhe, naturalmente, as semanas mais agradáveis, que são justamente as de tarifa mais alta. Bloquear o Natal e o Carnaval para uso próprio pode custar uma fatia desproporcional da receita anual. Isso não é errado; é apenas um custo que precisa ser explicitado no modelo, e não descoberto no primeiro fechamento de ano.

Sargaço e furacões como variáveis de negócio

A chegada do sargaço é um fenômeno recorrente na costa de Quintana Roo. A Secretaría de Marina, que coordena todos os anos a estratégia de atendimento com o governo estadual, os municípios e o setor privado, situa o ciclo de arribação entre abril e outubro e o enfrenta com barreiras de contenção, embarcações coletoras e recolhimento na praia. Para o investidor, isso não é um debate ambiental, e sim uma variável de receita: num ano de chegada intensa, os apartamentos que vendem “praia” no anúncio sofrem cancelamentos e pressão sobre a diária, enquanto os que vendem cenote, selva, piscina ou vida urbana sentem menos.

A temporada de furacões do Atlântico vai de junho a novembro e coincide com a baixa temporada. O risco direto — danos — é administrado com seguro e com um fundo de reserva próprio; o risco indireto — uma semana de aeroporto fechado e cancelamentos em massa — é administrado penalizando a ocupação esperada desses meses no modelo, e não presumindo que um ano normal é um ano médio.

Custos operacionais: o que o folheto não mostra

A receita bruta vende apartamentos; a receita líquida é o que os torna rentáveis. Estas são as linhas que com mais frequência faltam ou aparecem subestimadas nas projeções que circulam na Riviera Maya.

Administração e comissões de plataforma

No aluguel de temporada, a administradora profissional costuma cobrar uma participação percentual sobre a receita bruta, à qual se somam cobranças por limpeza, por gestão de check-ins ou por manutenção leve, conforme o contrato. As plataformas cobram ainda suas próprias comissões — do anfitrião, do hóspede ou de ambos — e a estrutura escolhida muda tanto a tarifa que o hóspede vê quanto a que você recebe. Peça o contrato de administração completo, não um resumo, e modele sua diária como “receita líquida de plataforma”.

No aluguel de longo prazo, a administração costuma ser uma comissão de colocação — frequentemente equivalente a um mês de aluguel — mais, se contratada, uma comissão mensal pequena por cobrança e atendimento. A Ley de Prestación de Servicios Inmobiliarios del Estado de Quintana Roo regula quem presta serviços imobiliários de intermediação e administração e prevê seu registro perante a autoridade estadual; confirmar que a administradora cumpre essa lei é uma verificação mínima e barata.

Vale dizer com todas as letras: administração é o maior custo isolado do modelo de temporada e é também aquele em que a qualidade varia mais. Duas administradoras que cobram o mesmo percentual podem entregar resultados líquidos muito diferentes, porque uma trabalha preço dinâmico com disciplina e a outra publica uma tarifa fixa e espera. Peça métricas mensais — ocupação, diária média, RevPAR, custo por rotação — e não apenas o depósito no fim do mês.

Taxas de condomínio e fundo de reserva

Os apartamentos da Riviera Maya vivem em regime de condomínio. A taxa de manutenção paga segurança, piscina, elevadores, jardinagem, água das áreas comuns e administração; o fundo de reserva paga o extraordinário. Em prédios com amenidades de resort, a taxa pode ser o maior custo fixo do ano, e ela é paga com o imóvel ocupado ou vazio.

Dois avisos práticos. O primeiro: as taxas da fase de pré-venda costumam subir quando o prédio entra em operação real e o orçamento encontra os custos verdadeiros. O segundo: um prédio com alta proporção de unidades de temporada desgasta mais as áreas comuns e costuma terminar com taxas mais altas ou com chamadas de capital extraordinárias. O guia sobre o regime de condomínio e taxas de manutenção em Playa del Carmen explica quais documentos pedir e como ler um orçamento condominial.

Eletricidade e climatização

Em Quintana Roo o ar-condicionado é o custo variável dominante. A Comisión Federal de Electricidad aplica tarifas domésticas com subsídio por faixas de consumo e, quando o consumo médio ultrapassa o limite da tarifa correspondente, reclassifica o serviço para a Tarifa Doméstica de Alto Consumo (DAC), sem subsídio e sensivelmente mais cara. Um apartamento de temporada com hóspedes que deixam o ar ligado o dia inteiro cai na DAC com facilidade, e a conta é paga pelo proprietário. No aluguel de longo prazo a conta é paga pelo inquilino, o que explica boa parte da diferença estrutural entre os dois modelos.

Medidas que de fato funcionam: equipamentos inverter, termostatos com limite, sensores de presença, vedação de janelas e uma política de tarifa de energia no regulamento interno da unidade quando a plataforma permite.

Limpeza, lavanderia, consumíveis e reposição

Cada rotação de temporada custa: faxina, lavanderia de enxoval, itens de banheiro, café, água e o desgaste que nenhum hóspede repõe — colchões, sofás, louça, televisores, fechaduras eletrônicas. Num modelo prudente, reserva-se todo ano um percentual do valor do mobiliário para reposição, e assume-se que o enxoval e o equipamento completo são renovados por ciclos. Esse mobiliário, além disso, é capital investido que o aluguel de longo prazo sem mobília não exige.

Seguros, predial, água e internet

O predial (IPTU mexicano) é municipal, anual e em geral tem desconto por pagamento antecipado nos primeiros meses do ano; é um custo moderado, mas real. A água em Solidaridad é fornecida por concessionária e cobrada por consumo. Internet de qualidade é indispensável nos dois modelos, e no de temporada quem paga é o proprietário. O seguro deve cobrir danos ao imóvel, conteúdo e responsabilidade civil perante terceiros, e é prudente declarar à seguradora o uso de hospedagem para evitar exclusões na hora do sinistro.

Vacância, inadimplência e desgaste na locação longa

O aluguel de longo prazo tem custos silenciosos próprios: o mês ou dois de vacância entre inquilinos, a pintura e os reparos na troca, o risco de inadimplência e o custo de um procedimento judicial de despejo se a relação se rompe. Eles são mitigados com seleção rigorosa, garantias adequadas, contrato bem redigido e, se o perfil justificar, uma apólice de seguro-fiança de locação. O guia para alugar um apartamento em Playa del Carmen descreve o processo pelo lado do inquilino, o que ajuda a entender o que o mercado local exige.

Tributação: ISR, IVA, retenções de plataformas e RFC

Aqui está a diferença menos visível e mais cara entre os dois modelos. O que segue é informação geral baseada na legislação federal vigente; a aplicação ao seu caso concreto deve ser definida por um contador público, porque depende da sua residência fiscal, da estrutura de titularidade e do volume de receitas.

Antes de entrar nos artigos, um esclarecimento que evita mal-entendidos frequentes entre investidores brasileiros e portugueses: a receita de aluguel de um imóvel situado no México é tributável no México, independentemente de onde você mora e de onde o dinheiro é depositado. O tratamento no seu país de residência — Brasil ou Portugal — é uma segunda camada, resolvida pelas regras internas de cada país e pelos tratados aplicáveis, e deve ser analisada pelo seu contador local. Este guia trata da camada mexicana.

Pessoa física residente no México: locação ou atividade empresarial

A Ley del Impuesto sobre la Renta dedica o Capítulo III do Título IV (artigos 114 a 118) às receitas de pessoas físicas por conceder o uso ou gozo temporário de imóveis. Ela permite deduzir as despesas reais do imóvel — predial, manutenção, juros reais de financiamentos, prêmios de seguro, salários, investimentos em construções — ou, em alternativa, optar por uma dedução sem comprovantes equivalente a 35 % das receitas, mais o predial pago (artigo 115). Os pagamentos por antecipação são mensais, com opção trimestral quando os aluguéis mensais não ultrapassam o limite fixado pela própria lei (artigo 116); se o locatário for pessoa jurídica, ela retém 10 % de ISR sobre o aluguel.

Quando o proprietário presta hospedagem com serviços — limpeza durante a estadia, enxoval, recepção, amenidades —, a autoridade pode entender que ele realiza atividade empresarial e não simples locação, com regime diferente de deduções e obrigações. Além disso, a lei prevê o Régimen Simplificado de Confianza para pessoas físicas com receitas anuais que não ultrapassem 3,5 milhões de pesos (artigo 113-E), que aplica alíquotas reduzidas sobre a receita bruta sem deduções, incluindo receitas de locação; a compatibilidade desse regime com receitas obtidas por plataformas tem regras específicas que devem ser revisadas com seu contador. A escolha do regime é uma decisão fiscal de primeira ordem e precisa ser tomada antes de alugar a primeira noite.

Retenções das plataformas digitais

Desde 2020, a Ley del ISR (artigos 113-A a 113-D) e a Ley del IVA (artigos 18-B a 18-M) obrigam as plataformas tecnológicas que intermedeiam serviços de hospedagem a reter impostos das pessoas físicas que os prestam. Os parâmetros vigentes são:

Conceito Com RFC informado à plataforma Sem RFC
Retenção de ISR sobre a receita de hospedagem (sem IVA) 4 % 20 %
Retenção de IVA sobre o imposto repassado (16 %) 50 %, ou seja, 8 pontos 100 %, ou seja, os 16 pontos
Natureza da retenção Pagamento por antecipação creditável, ou opção de pagamento definitivo Pagamento definitivo

A opção de considerar as retenções como pagamentos definitivos existe para quem obtém unicamente receitas por plataformas — ou, além delas, salários e juros — sem ultrapassar 300.000 pesos anuais (artigo 113-B), e é exercida mediante aviso ao SAT. Quem a adota renuncia a deduzir despesas, o que raramente compensa em um apartamento com taxas de condomínio, administração e energia elevadas; quem não a adota credita as retenções contra seus pagamentos por antecipação e declara suas deduções. Nos dois casos, o anfitrião precisa se inscrever no RFC (o cadastro fiscal mexicano), obter a e.firma (assinatura digital) e emitir notas fiscais eletrônicas; e quem não exerce a opção de pagamento definitivo deve ainda manter contabilidade e apresentar declarações. Operar “sem se cadastrar” não é apenas uma infração: custa dinheiro todo mês, via retenção de 20 %.

O IVA merece uma nota à parte. A hospedagem é tributada a 16 %, e a isenção do artigo 20, fração II, da Ley del IVA para casa habitación não se aplica a imóveis mobiliados nem aos destinados a hospedagem. Ou seja, um apartamento mobiliado alugado a longo prazo também pode gerar IVA, enquanto o mesmo apartamento sem mobília e destinado a moradia é isento. Essa é uma das razões pelas quais a tributação do modelo híbrido precisa ser estudada com cuidado.

Residentes no exterior e fideicomiso

Se o proprietário não é residente fiscal no México, a Ley del ISR tributa no artigo 158 as receitas por conceder o uso ou gozo temporário de imóveis localizados no país com alíquota de 25 % sobre a receita obtida, sem qualquer dedução. A retenção é feita por quem paga, quando este é residente no México, e em outras hipóteses o próprio contribuinte deve recolher o imposto. Os tratados para evitar a dupla tributação assinados pelo México podem permitir creditar esse imposto no país de residência, mas não eliminam a obrigação mexicana.

O fideicomiso bancário — o trust imobiliário que é a via habitual de titularidade para estrangeiros na zona restrita costeira — não muda essa conclusão: o fideicomissário é quem recebe os benefícios do imóvel e quem é tributado; o banco fiduciário não calcula nem paga os impostos do aluguel. Muitos estrangeiros optam por se inscrever no RFC como residentes com estabelecimento no México, ou por analisar com seu contador se sua situação migratória e fiscal permite tributar como residente, com deduções. Os detalhes da figura estão no guia sobre o fideicomiso bancário para estrangeiros.

A diferença entre 25 % sobre o bruto e uma tributação com deduções não é um detalhe contábil: num apartamento com taxa de condomínio alta, administração de 25 % e energia elevada, ela pode ser a diferença entre um investimento razoável e um investimento medíocre. Investidores do Brasil e de Portugal que planejam manter o imóvel por muitos anos costumam ganhar mais estudando a estrutura antes da compra do que negociando 3 % no preço.

Empresa mexicana

Quando o investimento envolve várias unidades ou a finalidade é claramente comercial, alguns investidores adquirem por meio de uma sociedade mexicana com cláusula de admissão de estrangeiros. A sociedade é tributada como pessoa jurídica, com a alíquota corporativa sobre o lucro, deduz despesas e investimentos e, ao distribuir dividendos, gera uma segunda camada de tributação. Ela tem custos fixos de constituição, contabilidade e conformidade que só se justificam acima de certo volume. O comparativo entre essa via e o fideicomiso está desenvolvido no guia sobre zona restrita e empresa mexicana.

O imposto de hospedagem de Quintana Roo

Além dos impostos federais, o estado tributa a prestação de serviços de hospedagem com um imposto próprio, regulado pela Ley del Impuesto al Hospedaje del Estado de Quintana Roo e administrado pelo Servicio de Administración Tributaria del Estado (SATQ). A lei alcança a hospedagem contratada por plataformas digitais e prevê que, quando a plataforma ou outro intermediário participa da cobrança, ele retenha e recolha o imposto por conta do prestador e lhe emita um comprovante de retenção no prazo curto que a própria lei fixa, no formato autorizado pelo SATQ. A lei foi reformada em dezembro de 2024 e novamente em dezembro de 2025; análises de escritórios fiscais sobre o pacote fiscal de 2026 reportam uma alíquota geral de 5 % e uma alíquota de 6 % para a hospedagem contratada por plataformas digitais. Confirme a alíquota aplicável, a base de cálculo e as obrigações de inscrição no texto legal vigente publicado pelo Congreso del Estado e diretamente com o SATQ antes de fixar sua diária, porque esse imposto tem sido reformado quase todo ano.

O imposto é pago pelo hóspede como parte do preço, mas a responsabilidade por sua incidência, retenção e recolhimento corretos recai sobre o prestador. Quando o anfitrião cobra fora da plataforma — reservas diretas, hóspedes recorrentes —, ele deve recolher o imposto por conta própria.

Prevenção à lavagem de dinheiro

A Ley Federal para la Prevención e Identificación de Operaciones con Recursos de Procedencia Ilícita considera atividade vulnerável a locação de imóveis quando o aluguel mensal atinge o limite em UMA (unidade de medida e atualização) fixado no artigo 17, fração XV, e obriga então a identificar o locatário e, acima de um segundo limite, a apresentar avisos à autoridade. O limite é alto e só é atingido por aluguéis mensais de segmento muito elevado, mas em locações de luxo de longo prazo em Playacar, Puerto Cancún ou Aldea Zama convém que seu assessor verifique o limite vigente e, se for o caso, cumpra a identificação e os avisos.

Regulação local: condomínio, registro turístico e municípios

A operação de temporada não depende apenas do SAT. Três camadas locais podem limitá-la ou proibi-la, e as três devem ser verificadas antes de comprar, não depois.

O regimento de condomínio

A Ley de Propiedad en Condominio de Inmuebles del Estado de Quintana Roo reconhece o direito do condômino de locar sua unidade, mas submete o uso à destinação prevista na escritura constitutiva do regime e às regras do regimento interno. Se a escritura fixa destinação exclusivamente residencial, ou se o regimento restringe estadias curtas, a assembleia pode sancionar a operação de temporada. Antes de anunciar, peça a escritura constitutiva, o regimento vigente e as atas das últimas assembleias: é ali que se vê se o prédio é de fato “Airbnb friendly” ou apenas no discurso do vendedor. E observe a tendência: um prédio hoje tolerante pode votar amanhã uma restrição se a convivência se deteriorar.

Esse é, na prática, o risco regulatório mais concreto e mais próximo do investidor estrangeiro. Um investidor que mora a nove mil quilômetros de distância dificilmente comparece às assembleias, dificilmente vota e frequentemente descobre uma mudança de regra depois que ela já está em vigor. Duas contramedidas simples: nomear um representante local com procuração para assembleias e ler as atas dos últimos dois anos antes de assinar qualquer coisa. Elas custam pouco e evitam a pior surpresa possível — a de comprar um imóvel para operar por diárias e receber, meses depois, uma notificação da administração proibindo a prática.

O RETUR-Q e a regulação estadual das plataformas

A Ley General de Turismo prevê o Registro Nacional de Turismo, catálogo público de prestadores de serviços turísticos de inscrição obrigatória (arts. 46 a 49), e os estados operam registros próprios coordenados com ele. Em Quintana Roo esse registro é o Registro Estatal de Turismo (RETUR-Q), a cargo da Secretaría de Turismo do estado (SEDETUR), no qual se inscrevem os prestadores de serviços turísticos, incluídos os de hospedagem. O governo estadual manifestou publicamente a intenção de regular a hospedagem oferecida por plataformas digitais, vinculá-la ao registro de prestadores e reforçar com isso controles de segurança e de prevenção de delitos; no debate público recente, autoridades estaduais e municipais e o setor hoteleiro — com insistência especial em Tulum — propuseram critérios homogêneos para que cada prefeitura defina onde e sob quais condições a hospedagem em plataformas pode operar, com um piso comum de obrigações frente aos hotéis. Para o investidor, isso significa duas coisas: confirmar com a SEDETUR se sua operação se enquadra como serviço turístico e, se for o caso, inscrever-se e manter o registro em dia; e não presumir que a regulação de hoje será a de amanhã.

Licenças municipais e uso do solo

Os municípios — Solidaridad, Tulum, Benito Juárez, Puerto Morelos — controlam uso do solo, licenças de funcionamento, defesa civil e coleta de lixo. O uso do solo do terreno e do empreendimento precisa permitir a destinação que você planeja; em empreendimentos de vocação turística a própria escritura costuma prevê-la, mas em prédios residenciais comuns convém verificar na diretoria de desenvolvimento urbano correspondente. A normativa municipal nessa matéria evolui rapidamente; seu assessor local deve confirmar o estado vigente no momento da compra.

Exemplo metodológico comparado (ilustrativo, não uma previsão)

O que segue é um exemplo ilustrativo construído com premissas redondas, declaradas uma a uma, para mostrar o método. Nenhuma cifra procede de um mercado real nem deve ser usada como referência de preços ou rendimentos; substitua-as pelas suas, obtidas como explicado acima.

Premissas comuns

Apartamento de um quarto em um empreendimento com piscina da Riviera Maya, preço de compra de 200.000 dólares, custos de aquisição já pagos e excluídos da análise, taxa de condomínio de 200 dólares por mês, predial de 250 dólares por ano, sem financiamento imobiliário. A análise é antes do ISR, porque o imposto depende do regime e da residência de cada investidor; o IVA da hospedagem é tratado como repasse ao hóspede e fica de fora.

Cenário de aluguel de temporada

Mobiliário e equipamento completos: 15.000 dólares adicionais, de modo que o capital total investido é de 215.000. Diária média líquida de comissões de plataforma: 110 dólares. Ocupação anual: 60 %, ou seja, 219 noites. Administração: 25 % da receita bruta. Limpeza não coberta pelo hóspede: 1.200 dólares por ano. Consumíveis e reposição: 800. Eletricidade, água, gás e internet: 2.400. Seguro: 400. Manutenção e reparos: 1.000.

Cenário de aluguel de longo prazo

Apartamento sem mobília, capital investido de 200.000. Aluguel mensal: 1.100 dólares. Vacância: um mês por ano. Comissão de colocação: um mês de aluguel. Seguro: 300. Manutenção e pintura na troca de inquilino: 600. Contas de consumo: pagas pelo inquilino.

Resultado comparado

Conceito (dólares por ano) Temporada (60 % de ocupação) Longo prazo
Receita bruta 24.090 (219 noites × 110) 13.200 (12 × 1.100)
Vacância incluída na ocupação −1.100
Administração / colocação −6.023 −1.100
Limpeza, consumíveis e reposição −2.000 0
Contas (energia, água, internet) −2.400 0 (inquilino)
Taxas de condomínio −2.400 −2.400
Predial e seguro −650 −550
Manutenção −1.000 −600
Receita líquida operacional 9.617 7.450
Capital investido 215.000 200.000
Rendimento líquido operacional 4,5 % 3,7 %

Com essas premissas, o modelo de temporada produz cerca de 2.200 dólares a mais por ano, 0,8 % adicionais de rendimento sobre o capital, em troca de 15.000 dólares a mais investidos, uma operação diária, uma tributação mais complexa e exposição total à sazonalidade.

Sensibilidade: o número que importa

Reduza a ocupação para 45 % — 164 noites — mantendo a diária. A receita bruta cai para 18.040 dólares, a administração para 4.510, a limpeza para cerca de 900 e o restante dos custos permanece fixo. A receita líquida operacional fica em torno de 5.400 dólares, 2,5 % sobre 215.000: abaixo do aluguel de longo prazo. Aumente a taxa de condomínio para 300 dólares mensais, algo frequente quando o prédio entra em operação real, e os dois cenários perdem 1.200 dólares, mas o de temporada sente mais, porque sua margem já é mais estreita. Acrescente um ano de sargaço intenso ou um furacão que feche o aeroporto por uma semana de alta temporada, e a diferença se inverte com clareza.

A lição do exemplo não é que um modelo vence; é que o aluguel de temporada exige acertar a ocupação com margem de erro pequena, enquanto o aluguel de longo prazo tolera erros maiores. O investidor que não consegue verificar a ocupação com evidência própria deveria assumir, por padrão, o cenário prudente.

O que o exemplo não captura

Ele deixa de fora o ISR, que pode pesar mais no modelo de temporada por causa da retenção de 4 % sobre o bruto ou, se o proprietário for residente no exterior sem estrutura, dos 25 % sem deduções. Deixa de fora o imposto estadual de hospedagem e os encargos da plataforma que o hóspede não absorve. Deixa de fora o valor do tempo do proprietário e o risco de sanções condominiais ou regulatórias. E deixa de fora a valorização, que na Riviera Maya foi historicamente parte central da tese de investimento, mas que ninguém pode garantir e que este guia não quantifica.

Há ainda um item que costuma escapar de investidores brasileiros e portugueses: o risco cambial em duas pontas. A receita é gerada em pesos ou em dólares, os custos são em pesos, e o patrimônio de referência do investidor está em reais ou em euros. Um rendimento líquido de 4,5 % ao ano em dólares pode virar outra coisa completamente quando convertido para a moeda em que você mede o seu patrimônio. Isso não é argumento contra investir; é argumento a favor de declarar a moeda de referência do modelo antes de comparar com alternativas domésticas.

Como pensar o risco de cada modelo

Comparar rendimentos médios sem comparar volatilidade é erro de principiante. O aluguel de temporada tem rendimento esperado potencialmente maior e dispersão muito maior: anos excelentes de alta demanda e anos de sargaço, excesso de oferta ou crise de viagens. O aluguel de longo prazo tem rendimento menor e dispersão limitada pelo contrato.

Três perguntas ajudam a decidir. Você depende dessa receita para pagar alguma coisa — um financiamento, uma hipoteca no seu país, o seu orçamento de vida? Se sim, a estabilidade vale mais que a média. Você consegue supervisionar a operação, ainda que à distância, com métricas mensais, ou depende cegamente de um terceiro? Se depende, o modelo de temporada vai cobrar essa cegueira. Quanta oferta nova está sendo construída num raio de um quilômetro da sua unidade? Em Tulum e em partes de Playa del Carmen a resposta costuma ser “muita”, e a oferta nova disputa as mesmas noites.

O risco de concentração também conta. Um prédio em que a maioria das unidades se dedica ao aluguel de temporada tem menos moradores permanentes, mais rotatividade, mais desgaste e, com frequência, mais conflitos em assembleia; é um prédio cujo valor de revenda depende de o modelo de temporada continuar viável. Diversificar entre modelos ou entre zonas é tão legítimo aqui quanto em qualquer carteira.

Vale acrescentar um risco que raramente aparece nas planilhas e que decide muitos casos concretos: o risco de dependência de um único operador. Um investidor que mora fora do México e entrega toda a operação — chaves, calendário, precificação, cobrança e relatórios — a uma única empresa está exposto a essa empresa tanto quanto ao mercado. Mantenha acesso próprio às contas nas plataformas, receba os pagamentos em conta sua sempre que possível e exija relatórios com dados brutos, não apenas o líquido transferido.

A saída: valorização, revenda e impostos na venda

Nenhum modelo de renda é avaliado por completo sem pensar a venda futura. Um apartamento com histórico de aluguel de longo prazo documentado e com inquilino pagando vende-se a outro investidor com fluxo demonstrável, ou a um usuário final que valoriza o fato de a unidade não ter sido operada como hotel. Um apartamento de temporada com avaliações, calendário cheio e extratos organizados vende-se a outro operador com prêmio pelo negócio em marcha; sem esse histórico, vende-se como qualquer apartamento mobiliado.

Na venda, o proprietário enfrenta o ISR sobre o ganho de capital, calculado sobre o lucro com atualização do custo e deduções, e as obrigações perante o notario público (o tabelião mexicano, que concentra a escrituração e a retenção de impostos na transmissão). A isenção pela venda de casa habitación exige, entre outros requisitos, comprovar que o imóvel foi a moradia do vendedor, condição que um apartamento operado em plataformas dificilmente cumpre. Os detalhes, incluindo o tratamento para residentes no exterior e os impostos locais que incidem sobre a operação, estão no guia sobre impostos na venda de um imóvel no México. Modele a saída com esses custos e verá que o retorno total do investimento depende tanto da valorização líquida de impostos quanto do aluguel anual.

Checklist de decisão antes de comprar para alugar

Percorra esta lista com o apartamento concreto que você está avaliando, não em abstrato.

  1. Zona e produto: quem é o hóspede ou inquilino natural desta unidade, e quantas unidades comparáveis competem por ele a menos de um quilômetro?
  2. Escritura constitutiva e regimento do condomínio: a destinação e as regras permitem a estadia curta? O que as últimas assembleias votaram?
  3. Taxas e fundo de reserva: orçamento vigente, histórico de aumentos, inadimplência do prédio e situação do fundo de reserva.
  4. Evidência de ocupação e diária média: comparáveis observados durante semanas, extratos reais de unidades semelhantes, penalidade por estabilização.
  5. Curva mensal: doze meses com ocupação e diária distintas, com setembro e outubro penalizados e com um cenário de sargaço.
  6. Custos completos: contrato de administração íntegro, tarifa elétrica e risco de cair na DAC, seguro com uso de hospedagem declarado, reposição de mobiliário.
  7. Estrutura fiscal: residência fiscal, regime de ISR, RFC e e.firma, tratamento do IVA, imposto estadual de hospedagem e RETUR-Q, revisados com um contador antes do primeiro anúncio.
  8. Estrutura de titularidade: fideicomiso, empresa mexicana ou escritura direta, decidida em função do número de unidades e da finalidade do investimento.
  9. Cenário prudente: rendimento líquido com ocupação baixa e taxa de condomínio alta. Se esse cenário não lhe serve, a média não vai salvá-lo.
  10. Saída: como esta unidade será vendida em cinco ou dez anos, e com qual carga tributária.

Se depois de percorrer a lista você continuar indeciso entre os dois modelos, o sinal é claro: compre uma unidade que funcione razoavelmente bem nos dois — localização caminhável, prédio com regimento flexível, taxa moderada, planta que agrade a um morador — e decida o modelo com o mercado à vista, não com o folheto. Você pode explorar imóveis à venda na Riviera Maya com esse filtro mental e pedir a um assessor os documentos condominiais e fiscais de cada candidata antes de se apaixonar pela vista.

Perguntas frequentes

O que rende mais: o aluguel de temporada ou o de longo prazo?

Depende da ocupação e da diária reais, não das anunciadas. No exemplo ilustrativo deste guia, com premissas prudentes, o aluguel de temporada produz uma receita líquida operacional um pouco maior, ao custo de mais capital, mais trabalho e mais volatilidade; com ocupação baixa, o aluguel de longo prazo o supera. Seu próprio modelo, com premissas documentadas, é a única resposta válida.

Quanto a plataforma retém de mim?

Com RFC informado, 4 % de ISR sobre a receita de hospedagem e 50 % do IVA repassado, ou seja, 8 dos 16 pontos (Ley del ISR, art. 113-A; Ley del IVA, art. 18-J). Sem RFC, 20 % de ISR e 100 % do IVA. A retenção é pagamento por antecipação creditável ou, em certos casos de receita baixa, definitiva por opção.

Sou estrangeiro e comprei por fideicomiso: posso alugar?

Sim, e você deve pagar imposto no México sobre esses aluguéis. Se não for residente fiscal mexicano, a Ley del ISR tributa a receita bruta de locação de imóveis no país a 25 % sem deduções (art. 158), sem prejuízo do que o tratado fiscal aplicável permita creditar no seu país. Verifique com um contador se outra estrutura lhe convém antes de publicar o anúncio.

O condomínio pode proibir o aluguel de temporada?

Pode limitá-lo ou proibi-lo se a escritura constitutiva fixar destinação exclusivamente residencial ou se o regimento restringir estadias curtas, conforme a Ley de Propiedad en Condominio de Quintana Roo. Revise os dois documentos e as atas de assembleia antes de comprar.

O que é o RETUR-Q?

É o Registro Estatal de Turismo de Quintana Roo, a cargo da SEDETUR, no qual se inscrevem os prestadores de serviços turísticos do estado e que se coordena com o Registro Nacional de Turismo previsto na Ley General de Turismo. O governo estadual manifestou a intenção de regular a hospedagem oferecida por plataformas digitais e de exigir o registro de quem a presta; se você opera aluguel de temporada, confirme com a SEDETUR se sua atividade se enquadra como serviço turístico, quais são os requisitos vigentes e como manter o registro em dia.

Como o sargaço e os furacões afetam a rentabilidade?

Como variáveis de temporada. A chegada do sargaço se concentra, segundo a Secretaría de Marina, entre abril e outubro, e castiga diária e ocupação das unidades que vendem praia; a temporada de furacões vai de junho a novembro e coincide com a baixa temporada. Penalize esses meses no seu modelo, mantenha um fundo de reserva próprio e confirme que seu seguro cobre danos e responsabilidade civil com o uso de hospedagem declarado.

Perguntas frequentes

O que rende mais na Riviera Maya: o aluguel de temporada ou o aluguel de longo prazo?

Depende da ocupação e da diária que o apartamento realmente consegue, não da que o folheto promete. Em um exemplo ilustrativo com premissas prudentes, o aluguel de temporada gera uma receita líquida um pouco maior, mas exige mais capital imobilizado em mobiliário, mais custos variáveis, mais trabalho e muito mais volatilidade. Com ocupação baixa, o aluguel de longo prazo supera o de temporada. A resposta correta sai do seu próprio modelo, com premissas documentadas.

Quanto o Airbnb ou outra plataforma retém de ISR e IVA de um anfitrião no México?

Conforme a Ley del ISR (imposto de renda federal, artigo 113-A), a plataforma retém 4 % da receita de serviços de hospedagem quando o anfitrião informa seu RFC (cadastro fiscal mexicano) e, conforme a Ley del IVA (artigo 18-J), retém 50 % do IVA repassado, ou seja, 8 dos 16 pontos. Se o anfitrião não informa o RFC, as retenções sobem para 20 % de ISR e 100 % do IVA. Essas retenções são pagamentos por antecipação ou, em certos casos de receita baixa, podem ser consideradas definitivas.

Um estrangeiro pode alugar seu apartamento em Playa del Carmen ou Tulum?

Sim. Se for proprietário por meio de um fideicomiso (trust imobiliário bancário), a receita é sua e você deve pagar imposto no México; se não for residente fiscal mexicano, a Ley del ISR tributa no artigo 158 as receitas de locação de imóveis no México com alíquota de 25 % sobre a receita bruta, sem deduções, salvo se um tratado ou seu cadastro como contribuinte no México permitirem outro tratamento. Vale revisar o caso com um contador antes de publicar o primeiro anúncio.

O condomínio pode proibir o aluguel de temporada do meu apartamento?

Pode limitá-lo. A Ley de Propiedad en Condominio de Quintana Roo respeita o direito de locar, mas submete o uso da unidade à destinação fixada na escritura constitutiva e ao regimento interno. Se a destinação for exclusivamente residencial ou o regimento restringir estadias curtas, a operação de temporada pode ser sancionada pela assembleia. Revise os dois documentos antes de comprar.

O que é o RETUR-Q e ele se aplica a mim se eu alugo por plataformas?

É o Registro Estatal de Turismo de Quintana Roo, a cargo da Secretaría de Turismo do estado (SEDETUR), no qual se inscrevem os prestadores de serviços turísticos; ele se coordena com o Registro Nacional de Turismo previsto na Ley General de Turismo. O governo estadual manifestou publicamente a intenção de regular a hospedagem oferecida por plataformas digitais e de exigir o registro de quem a presta. Se você opera aluguel de temporada, confirme com a SEDETUR se sua atividade se enquadra como serviço turístico, quais são os requisitos vigentes e como manter o registro em dia.

Como o sargaço e os furacões afetam a rentabilidade?

Como variáveis de temporada, não como catástrofes anuais. A chegada do sargaço se concentra, segundo a Secretaría de Marina, entre abril e outubro, e castiga a diária e a ocupação dos apartamentos que vendem praia; a temporada de furacões do Atlântico vai de junho a novembro e coincide com a baixa temporada. Um modelo sério penaliza os meses de risco com ocupação menor, reserva um fundo para danos e verifica a cobertura do seguro.

Fontes e referências

Links para leis, regulamentos e órgãos oficiais citados neste guia.

  1. Ley del Impuesto sobre la Renta (arts. 113-A a 113-D, plataformas tecnológicas; 114 a 118, arrendamiento de personas físicas; 158, residentes en el extranjero) — Cámara de Diputados
  2. Ley del Impuesto al Valor Agregado (arts. 1, 18-B a 18-M, servicios digitales; 20 fr. II, casa habitación) — Cámara de Diputados
  3. Plataformas tecnológicas: obligaciones fiscales de personas físicas que prestan servicios de hospedaje (retenciones de ISR e IVA, opción de pago definitivo) — Servicio de Administración Tributaria (SAT)
  4. Portal del SAT: obligaciones de personas físicas con ingresos por arrendamiento de inmuebles — Servicio de Administración Tributaria (SAT)
  5. Ley General de Turismo (arts. 46 a 49, Registro Nacional de Turismo), Biblioteca de leyes federales — Cámara de Diputados
  6. Ley del Impuesto al Hospedaje del Estado de Quintana Roo (texto vigente y reformas, incluida la de diciembre de 2025) — Congreso del Estado de Quintana Roo
  7. Ley de Propiedad en Condominio de Inmuebles del Estado de Quintana Roo (última reforma POE 12-11-2021) — Congreso del Estado de Quintana Roo
  8. Ley de Prestación de Servicios Inmobiliarios del Estado de Quintana Roo (última reforma POE 16-12-2025) — Congreso del Estado de Quintana Roo
  9. Código Civil para el Estado de Quintana Roo (texto vigente) — Congreso del Estado de Quintana Roo
  10. Secretaría de Turismo de Quintana Roo (SEDETUR): portal institucional y Registro Estatal de Turismo (RETUR-Q) — Gobierno del Estado de Quintana Roo
  11. La SEMAR, en coordinación con los órdenes de gobierno y sociedad quintanarroense, se prepara para la temporada de arribazón de sargazo 2025 — Secretaría de Marina (SEMAR)
  12. Ley Federal para la Prevención e Identificación de Operaciones con Recursos de Procedencia Ilícita (art. 17 fr. XV, arrendamiento) — Cámara de Diputados
  13. CFE: Tarifa Doméstica de Alto Consumo (DAC), límites por tarifa — Comisión Federal de Electricidad
  14. Índice Nacional de Precios al Consumidor (INPC) — INEGI

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